Cultura fora de Lisboa e do Porto? Onde?

 

Carlos Semedo

Programador cultural em Castelo Branco

 Há anos que Castelo Branco tinha desaparecido do mapa cultural do país. O auditório do Cine-Teatro Avenida, com capacidade para 700 pessoas, estava quase sempre fechado, enquanto as queixas entre a população local subiam de tom. No entanto, algo tem vindo a mudar nos últimos meses nesta capital de distrito. Um dos responsáveis por esse processo é precisamente Carlos Semedo, o programador da associação Cultura Vibra – ou o professor de música que deixou o ensino para aceitar um convite da autarquia. Objectivo estratégico: pôr a cidade a mexer.

 

 Foi há cerca de um ano que Carlos Semedo aceitou um desafio que parecia difícil de concretizar. Em tempos de crise, a existência de uma autarquia que decide apostar na cultura soa a promessa eleitoral com poucos meios para ser cumprida. Mas Carlos Semedo não se arrependeu da decisão que tomou, nem tão pouco teve que “fazer omeletas sem ovos”. Aos 44 anos deixou o seu “porto seguro” no ensino da música e passou a trabalhar em horários difíceis de conjugar com a vida pessoal. Actualmente, fala com orgulho das conquistas já realizadas.

 Se há um ano atrás tivessem dito a qualquer albicastrense que, daí a uns meses, a sua cidade iria receber Stacey Kent, Carmen Souza ou um animado grupo de Monges Tibetanos do Mosteiro Tashi Lhunpo, ele teria certamente rido a bandeiras despregadas. Hoje, o mesmo albicastrense pode acenar com a cabeça num orgulhoso sentido afirmativo. Desde Outubro do ano passado que a capital de distrito aprendeu a conjugar músicas do mundo com jazz e ópera, descobriu o trabalho de companhias de teatro e dança de todo o país, assistiu a conferências, lançamentos de livros, aos clássicos e às últimas estreias do cinema menos comercial.

 Para Carlos Semedo, o segredo deste sucesso passa por uma clara aposta na divulgação. Com cartazes espalhados por vários pontos da cidade, a associação organiza ainda uma agenda trimestral (totalmente concebida por um ateliê de design albicastrense), e não descuida a importância das ferramentas online. Para além de um site e de um blog com actualizações permanentes, a Cultura Vibra envia várias mensagens via twitter e tem também uma página no facebook com 868 fãs. Esta última ferramenta surpreendeu bastante o programador cultural, que não esperava tantos comentários: “Muitas vezes, mal acabamos de colocar as fotos de um espectáculo, as pessoas começam logo a comentar, dizendo que gostaram, ou mesmo a apontar a algumas críticas e sugestões, o que para nós é óptimo. É sinal que estão entusiasmadas com o projecto e que esperam ainda mais de nós.”

 Com uma programação diversificada, Carlos Semedo assume que, desde o início, a equipa procurou atrair públicos de todas as idades e com diferentes tipos de gostos: “Não nos concentrámos em trazer apenas um determinado tipo de música, de teatro ou de dança. Privilegiamos todos os estilos, para que as pessoas possam escolher, ou mesmo conhecer coisas novas para as quais, à partida, não estariam despertas.”

 Por outro lado, a associação Cultura Vibra não se fecha em si própria. Como sublinha Carlos Semedo, “o objectivo é que as pessoas saibam que Castelo Branco é uma cidade que está activa, mesmo fora do concelho e até do distrito. Queremos chegar à Idanha, ao Fundão e à Covilhã, a Portalegre, ou mesmo à Guarda e a Espanha. Houve muita gente de Lisboa que veio ver a Stacey Kent aqui, porque não conseguiu comprar bilhetes para o CCB.” Um balanço de poucos meses de actividade que, até ao momento, já ultrapassou as melhores expectativas.

 

 

Ana Catarina Pereira

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