A Casa mais Portuguesa de Barcelona

 Leonor Castro Pinto é portuguesa de alma e catalã de coração. E o melhor de tudo é que consegue conciliar perfeitamente as duas paixões.

 Há sete anos fez as malas com o objectivo de estudar durante um ano em Barcelona. Mas os planos de uma estadia nunca deveriam ser totalmente definidos, já que surgem sempre imprevistos e surpresas que nos fazem mudar de ideias. Como aconteceu com Leonor. Nascida na Covilhã há 32 anos, estudou Cinema e trabalhava como produtora de eventos quando decidiu aumentar a sua formação. Um master em escrita de guião para cinema e televisão parecia-lhe a fórmula ideal para continuar a perseguir os seus sonhos ligados à sétima arte. E se bem o pensou melhor o fez.

 À chegada depressa se deixou conquistar pelos encantos e pelo ambiente cosmopolita da cidade das Ramblas. Concluído o período de estudos, decidiu ficar mais algum tempo, voltando a trabalhar como produtora de eventos de moda, cinema e música. O projecto que viria a desenvolver começou então a tomar forma, graças ao seu sentido de observação. Com restaurantes que tão bem representam a cultura gastronómica de tantos países estrangeiros, Leonor Castro Pinto deu-se conta que Barcelona não tinha nenhum português. Para além do mais, começava a cansar-se de comer os invariáveis croissants e queques congelados servidos nos cafés ao pequeno-almoço e lanche: “Eu sou muito gulosa e a certa altura é impossível não sentir saudades da comida portuguesa. No meu caso, essas saudades eram sobretudo dos doces e das sobremesas.” Em conversa com o seu marido, também português, começou a desenvolver algumas hipóteses: “E se nós trouxéssemos para cá alguns vinhos portugueses, umas cervejas, uns bolinhos?”

 A ideia foi tomando forma e ficando mais madura, até começar a ser vista como uma oportunidade de negócio. Dois anos depois, Leonor Castro Pinto e Pedro Santos inauguravam, em pleno bairro da Gràcia, um espaço tão interessante quanto difícil de definir: “O objectivo era mesmo fugir aos conceitos tradicionais de restaurante e café. Queríamos algo diferente, que mostrasse a gastronomia portuguesa, mas que também divulgasse a componente artística e cultural.” E este talvez possa constituir o princípio de definição que nos faltava, começando pela negativa: a Casa Portuguesa não é um café, nem um bar. Não é um restaurante, nem sequer uma loja, mas é uma mescla de tudo isto, concentrada em 120 metros quadrados, decorados com sobriedade e bom gosto.

 Mas, o que se pode saborear por aqui? De tudo. Vinhos de todas as regiões do país, alguns licores - Ginjinha de Óbidos, Amêndoa Amarga e Licor Beirão -, café, sumos, cervejas e águas nacionais. Por sua vez, a carta de sobremesas é também extensa e variada, com pastéis de nata, bolas de Berlim, bolos de arroz, bolo de bolacha, mil-folhas de chocolate, molotof e tarte de limão, todos eles de produção própria. Quem preferir salgados, pode sempre optar por rissóis, empadas, croquetes e pastéis de bacalhau, pedir uma tábua de queijos ou de enchidos. Ao fim-de-semana podem ainda provar-se pequenos pratos de (adivinhe-se!) bacalhau com natas e bacalhau à Brás e, na época dos Santos Populares, que agora se avizinha, Leonor Castro Pinto e o seu sócio/marido organizam uma sardinhada típica no pátio desta casa tão portuguesa.

 O reconhecimento do espaço tem sido cada vez maior. Em Março deste ano, Leonor Castro Pinto recebeu o galardão “Mulher Notável”, atribuído pela Governadora Civil de Castelo Branco a cinco mulheres do distrito que se destacaram pela dedicação a causas públicas e sociais. No mesmo mês, durante a visita oficial do Presidente da República, Cavaco Silva, a Barcelona, a Casa Portuguesa foi convidada para apresentar alguns dos seus melhores produtos na recepção realizada no Hotel Majestic. Para além disso, têm também organizado diversas actividades culturais, em parceria com o consulado português. As exposições de artistas plásticos, os lançamentos de livros, as noites de fados e de outras músicas ao vivo são também uma constante. Uma prova de que a nossa casa pode ser realmente em qualquer parte do mundo, ou de que as saudades podem sempre ser combatidas na melhor das companhias.

 

 

Quilómetros:

 Distância Lisboa – Barcelona: 994 km

  Distância Porto – Londres: 895 km

Informação retirada do site: http://www.horlogeparlante.com/pt

 

Barcelona – localização por GPS:

http://maps.google.pt/maps?hl=pt-PT&rlz=1R2TSEH_pt-PTPT360&um=1&ie=UTF-8&q=barcelona+gps&fb=1&gl=pt&hq=gps&hnear=barcelona&ei=R3fxS5j5D5Lb-QaAyKnNCQ&sa=X&oi=local_group&ct=image&resnum=1&ved=0CDAQtgMwAA

 

Caixa – Barcelona:

A segunda maior cidade de Espanha é capital da província catalã, ligada à restante Europa, a norte, pelos Alpes. O coração da cidade palpita nas Ramblas, uma avenida sombreada por plátanos, ligando a enorma Plaza da Catalunha ao porto. Outra das suas atracções turísticas é a famosa catedral da Sagrada Família, em arte nova, de Antoni Gaudi, em construção desde 1882.

 

Antoni Gaudi

 É impossível falar de Barcelona sem fazer referência a uma das suas maiores referências arquitectónicas. Antoni Gaudi nasceu em Reus - Catalunha, em 1852. Com um estilo distinto que se caracteriza pela liberdade de forma, cor e texturas voluptuosas e na unidade orgânica, Gaudí trabalhou quase sempre em Barcelona ou nos seus arredores. Grande parte da sua carreira foi ocupada com a construção da Catedral da Sagrada Família, que ainda não estava concluída quando morreu. 

 O estilo de Gaudí atravessou diversas fases. Quando terminou os seus estudos, em 1878, começou a projectar de acordo com um estilo Vitoriano bastante florido, que já era evidente nos seus projectos escolares, mas desenvolveu rapidamente uma maneira de compor por meio de justaposições de massas geométricas, até aí nunca usadas, cujas superfícies eram animadas com pedra ou tijolo modelado, painéis cerâmicos de cores vivas e estruturas de metal. O efeito geral, embora os detalhes não o sejam, é Mourisco, como a mistura especial da arte muçulmana com a cristã é conhecida em Espanha. Os seus exemplos deste estilo são a Casa Vicens, El Capricho, a Propriedade e o Palácio de Güell, de finais dos anos 80 do século XIX.

 Mais tarde, Gaudí experimentou as possibilidades dinâmicas de vários estilos arquitectónicos. Mas após 1902 os seus projectos deixam de poder ser atribuídos a um estilo arquitectónico convencional. À excepção de alguns edifícios em que é clara a representação simbólica da natureza ou da religião, os edifícios de Gaudí transformaram-se em representações da sua estrutura e dos materiais que os constituem. Na sua Vila Bell Esguard e no Parque de Güell chegou a um tipo de estrutura que veio a ser chamada “equilibrada” - isto é, uma estrutura projectada para se apoiar sobre si própria sem apoios internos ou suportes externos - ou, como Gaudí afirmava, exactamente como uma árvore se ergue. Gaudí aplicou o seu sistema equilibrado a dois edifícios de apartamentos de vários andares edificados em Barcelona: a Casa Batlló, uma renovação que incorporou novos elementos equilibrados, sobretudo a fachada; e a Casa Milá. Como era frequente nele, projectou os dois edifícios, tanto nas suas formas como nas superfícies, como metáforas do carácter montanhoso e marítimo da Catalunha. 

 Arquitecto admirado, mesmo que considerado um pouco excêntrico, Gaudí foi um participante importante na Renaixensa catalã, um movimento artístico revivalista das artes e dos ofícios que se combinou com um movimento político de feições nacionalistas baseado num fervoroso  anti-castelhanismo. Contratado para construir a Catedral da Sagrada Família desde 1883, não viveu para a ver terminada. Aos 75 anos, foi atropelado por um trolley-car, tendo morrido dos ferimentos. 

 

Fonte:

http://www.arqnet.pt/portal/biografias/gaudi.html

www.acasaportuguesa.com

Ana Catarina Pereira

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