Cláudia Tomaz

O cinema como paixão

 Cláudia Tomaz é realizadora de cinema. Recentemente, converteu-se ao fabuloso mundo das novas tecnologias e passou a utilizar plataformas online para mostrar e produzir os seus filmes. Numa altura em que as idas ao cinema parecem estar a decair em grande escala, e os downloads piratas são uma realidade cada vez mais incontornável, a realizadora não tem dúvidas: “O futuro do cinema e da televisão é a Internet”. Aos 37 anos reside em Londres e não considera a hipótese de voltar a Portugal.

 Quando terminou a licenciatura em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de Lisboa, trabalhou com algumas das melhores referências cinematográficas em Portugal, entre elas Paulo Rocha, Pedro Costa e José Álvaro Morais. Realizou várias curtas, documentários e duas longas-metragens - Noites (premiada no Festival de Veneza) e Nós (premiada em Locarno).

 Cosmopolita por natureza, Cláudia Tomaz sente-se feliz por morar em Londres e passar muito tempo em viagem pelos quatro cantos do mundo. Afirma ter percebido isso a partir do momento em que começou a participar em festivais internacionais e a conhecer realizadores com experiências de vida distintas: “Não conseguiria voltar a trabalhar em Portugal. Eu estou sempre à procura de coisas novas, porque o que me rodeia influencia tanto a minha vida como o meu trabalho. Já percebi que sou mais feliz em movimento. Sinto que, em Portugal, os realizadores não são levados a sério, o que faz com que exista uma grande falta de respeito por eles.”

 Tendo uma vasta experiência em várias actividades ligadas à sétima arte (trabalhou como realizadora, camera-woman, editora, guionista, assistente de realização e produtora), Cláudia Tomaz começou a trabalhar em digital em 2004. Actualmente, a Internet é a sua grande aposta, tendo criado o projecto Micro Films Web TV - um espaço para mostrar os seus filmes em formato micro e, simultaneamente, um projecto original que tem levado a cabo praticamente sozinha: “Há muito tempo que procurava uma forma de tornar os meus filmes acessíveis a toda a gente e de criar o meu próprio canal de distribuição, sem depender de produtores ou distribuidores. Para além disso, estava interessada em formas alternativas de obter financiamento através de plataformas online. Com a Micro Films consegui juntar as duas coisas.”

 O projecto, lançado em Novembro 2009, mereceu a atenção de alguns meios de comunicação social britânicos, o que fez com que, no mês seguinte, Cláudia Tomaz tivesse mais de um milhão de pessoas a verem os seus filmes. O financiamento desta aventura cibernética, segundo afirma, é simples: “Eu recebo cinquenta por cento da publicidade que aparece na página. Assim que termino a montagem de um filme, ele fica disponível na Web TV. Portanto, ao verem os meus filmes e ao votarem nos seus favoritos, os espectadores estão a contribuir para o financiamento do novo projecto, embora seja inteiramente grátis aceder aos filmes, 24 horas por dia, em qualquer lugar do mundo.” O lançamento da plataforma foi feito com a estreia de London Ground, uma série de filmes experimentais em formato curto (3 a 10 minutos) sobre artistas londrinos de diferentes áreas – cinema, performance, activismo, música, entre outras. No entanto, nem todo o projecto se passa no mundo virtual. Para Cláudia Tomaz, o encontro com o público é também fundamental, pelo que pensa organizar mostras especiais e eventos com os artistas convidados.

 Para além da actividade como realizadora, Cláudia Tomaz dá também aulas de cinema a crianças dos 7 aos 12 anos. O objectivo é fazer um pouco de tudo, ou seja, escrever o guião, gravar, montar e produzir um filme de três minutos: “Eu faço isso como associada do Cineclube, que fornece professores de cinema para as escolas, para complementar o currículo educativo.” Em Portugal, onde os jovens não têm grande contacto com a produção nacional, Cláudia Tomaz considera que esta poderia ser uma forma de cultivar o gosto dos espectadores: “Fazer filmes é um processo complexo que desenvolve a auto-confiança, a criatividade e o trabalho em equipa. Acho que deveria ser ensinado nas escolas do mundo inteiro, tal como acontece no Reino Unido.” Apesar de viver distante, a realizadora lança assim ideias para a criação de novos projectos em Portugal.

 

Quilómetros:

Distância Lisboa – Londres: 1585 km

Distância Porto – Londres: 1321 km

Informação retirada do site: http://www.horlogeparlante.com/pt

Londres: localização por GPS

http://maps.google.pt/maps?f=q&source=s_q&gl=pt&hl=pt-PT&g=North+Court%2C+1+Great+Peter+Street%2C+London+SW1P+3LL%2C+United+Kingdom&q=gps+london

 A capital britânica dispensa apresentações. Uma cidade multicultural, com mais de 8 milhões de habitantes, onde quase todas as formas de expressão artística encontram reconhecimento. É também um dos maiores centros financeiros do mundo. O Metropolitano de Londres é a mais extensa rede ferroviária subterrânea do mundo e o aeroporto de Heathrow é o mais movimento em número de passageiros internacionais.

 

 

Camden Town

 Se não foi aqui que o punk nasceu, é certamente lá que ele vive actualmente. Camden Town já foi uma zona de comércio repleta de armazéns e estábulos militares, mas hoje é conhecida pelos seus mercados, pubs e clubes onde, nos fins-de-semana, turistas e deslocados em geral disputam as ruas em busca de novidades. Mas apesar do multiculturalismo, a segurança mantém-se no bairro.

 Toda esta vocação para a vanguarda e para a diversidade está associada à música que, desde os anos 30, tem feito parte do estilo de vida do bairro. Inicialmente, devido à vaga de imigração de irlandeses (também conhecidos por gostarem de uma boa festa, cerveja e música), surgiram muitos pubs e dancing clubs. Mas foi a partir dos anos 60 que o Rock n’ Roll começou a atrair a atenção de pessoas de outras partes de Londres para o que se estava a passar naquele bairro. O primeiro grande evento de Rock em Camden Town teve lugar no Roundhouse, um antigo armazém de motas, onde os Pink Floyd e outras bandas actuaram.

 Nos anos 70 os pubs introduziram música ao vivo, entre eles o Underworld, considerado o maior do mundo. Para além disso, Camden é também o local de nascimento da Pop britânica. Membros dos Blur, Pulp, The Stone Roses, Bluetones e Oasis viveram ou actuaram aqui no início das suas carreiras. O sucesso foi tão grande que a MTV se instalou num prédio de Camden Lock. Recentemente, o Jazz Cafe introduziu uma nova cor ao bairro, trazendo ícones da música blues e jazz. Camden Town é assim sinónimo de música e liberdade.

Ana Catarina Pereira

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