Márcio Vilela

Do nordeste brasileiro para a cidade dos templários

 Nasceu no Brasil, mas vive em Portugal, entre Tomar e Lisboa. Ou entre estas cidades e o resto do mundo por onde vai expondo o seu trabalho. Márcio Vilela tem 31 anos e é professor de Fotografia na Escola Superior de Tecnologia de Tomar. Até aos 22 anos nunca tinha estado em Portugal, nem sequer tinha qualquer tipo de ligação com o país, o que nos despertou uma certa curiosidade: o que leva um brasileiro, nascido em Recife, a vir morar para Tomar? Foi o que a NS tentou descobrir.

Comecemos por recuar no tempo. Há dez anos, Márcio Vilela era um estudante de Medicina Veterinária que continuava a morar na cidade onde nascera. Já frequentava o terceiro ano do curso e mantinha-se um aluno regular - sem grande entusiasmo pelas matérias dadas, mas também sem resultados tão maus que suscitassem a preocupação dos pais. A paixão pela fotografia não nasceu com ele. Surgiu anos mais tarde, repentina e fulminante, por influência de um irmão artista plástico que o levou a viajar e a fotografar: “Foi quando descobri que era óptimo olhar para dentro de uma câmara e compor os objectos que iria retratar.”

 O entusiasmo foi crescendo, a tal ponto que Márcio Vilela tomou uma decisão que mudaria para sempre o rumo da sua vida. Em Recife não existiam cursos superiores de fotografia, pelo que Márcio decidiu expandir horizontes: começou por procurar noutras universidades brasileiras, norte-americanas e mesmo europeias. Quando descobriu o curso da escola de Tomar ponderou as vantagens: não existia uma barreira linguística. Para além disso, a pequena cidade ribatejana tinha a medida certa do acolhimento que alguém espera quando atravessa um oceano e se muda de armas e bagagens para outro continente.

A adaptação a Portugal, segundo nos garante, foi muito fácil. Paralelamente, a animada vida académica fomenta o convívio e as noites de boémia - prazeres que Márcio Vilela escolheu viver intensamente durante o primeiro ano, dedicando-se mais aprofundadamente aos estudos nos anos seguintes. Os resultados saltaram à vista - terminou a licenciatura com média de 17 valores e foi convidado para leccionar na escola.

 Desde o início sentiu que queria trabalhar em fotografia digital. No entanto, hoje em dia concilia esta área com a fotografia analógica, pelo que Márcio Vilela corresponde ao velhinho estereótipo do fotógrafo que transporta máquinas antigas, com um tripé e material auxiliar bastante pesados: “São câmaras que vão de encontro àquilo que eu quero. Tenho que as montar no sítio certo, porque não tenho zoom, e isso representa um teste maior ao meu trabalho. Depois, tenho que revelar as fotografias, e esse é um ritual que eu faço questão de preservar.” A fonte maior de inspiração é a própria natureza, já que Márcio Vilela se dedica essencialmente à fotografia de paisagem.

Depois do convite para leccionar em Tomar, surgiram ainda outras oportunidades, como dar aulas noutras escolas e formar um ateliê com antigos professores seus. Já em 2008 foi um dos finalistas da quinta edição do Anteciparte, uma selecção anual de jovens que constitui um dos mais importantes eventos das artes plásticas nacionais. De entre as mais de 200 candidaturas de diversas áreas, apenas sete são escolhidas como finalistas, tendo Márcio Vilela sido o único fotógrafo a chegar a esta fase do concurso.

E m 2009 foi ainda seleccionado para o conceituado festival PhotoEspanha, em Madrid. Vinte fotógrafos do mundo inteiro foram aqui apresentados a curadores, galeristas e à imprensa especializada, e Márcio Vilela foi um deles. Daí surgiram vários contactos interessantes, tendo então sido convidado para expor em Londres, Nova Iorque e na Lituânia. As fronteiras parecem mesmo ter deixado de existir, numa linguagem universal que partilha com o mundo inteiro. O céu é o seu limite.

 

 

Tomar - Quilómetros:

Distância Lisboa – Tomar: 143 km

Distância Porto – Tomar: 197 km

 

Coordenadas GPS:

39º 36`26.17`` N
8º 23`57.87`` W

 A cidade está localizada nas margens do rio Nabão. Pertence ao distrito de Santarém e situa-se na província do Ribatejo. Tem uma área de 351 quilómetros quadrados e cerca de 43 mil habitantes. Em 1147 foi conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques, tendo sido doada por este monarca aos Templários em 1159.

 Em 1312, o Papa João XXII decidiu extinguir a Ordem do Templo, sendo então fundada a Ordem Militar de Cristo. Devido à necessidade de defender a fronteira algarvia, a sede desta Ordem transferiu-se para Castro Marim. Trinta e sete anos depois, voltou a fixar-se no castelo de Tomar. A cidade foi ainda o centro originador e principal sustentador da epopeia dos Descobrimentos: o Infante D. Henrique, nomeado pelo Papa como Regedor da Ordem de Cristo, viria a instalar-se no castelo de Tomar. Em 1844 é elevada à categoria de cidade.

 

O Convento de Cristo

 Tomar é uma cidade conhecida pela riqueza do seu património arquitectónico, do qual se destaca o Convento de Cristo. Historicamente, pertenceu primeiro à Ordem do Templo, tendo passado para a égide da Ordem de Cristo no reinado de D. Dinis. Actualmente continua a ser visto como um dos principais monumentos da arquitectura nacional, onde todas as etapas estéticas, desde o século XII ao XVIII, se encontram ampla e profundamente documentadas.
 Em 1984 foi considerado património mundial pela UNESCO. Constituído por sete claustros e outros edifícios, contém no seu interior notáveis obras de arquitectura. O Claustro de D João III, o principal do convento, é referido por muitos historiadores como uma das mais belas e monumentais obras do Renascimento, levada a cabo pelo arquitecto Diogo de Torralva, a quem se deve também a construção de um outro monumento em Tomar, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

 Os restantes, são o Claustro das Lavagens e o Claustro de D. Henrique, que remontam à primeira metade do século XV. O Claustro de Santa Bárbara é quase esmagado pela monumentalidade da Janela do Capítulo, que se debruça sobre o mesmo. Restam os Claustros da Micha (1528), o Claustro das Hospedarias constituído por dois pisos (1541) e finalmente o Claustro dos Corvos.

 Por último, não poderíamos deixar de destacar dois símbolos indissociáveis deste convento esplendoroso: a Janela do Capítulo e a Charola. Trata-se de uma construção periurbana, implantada no alto de uma elevação sobranceira à planície onde se estende a cidade. Está circundado pelas muralhas do Castelo de Tomar e pela mata da cerca. Actualmente é um espaço cultural, turístico e ainda devocional.

Ana Catarina Pereira

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