La Bella Itália

 Próximo da Boca do Inferno, em plena baía de Cascais, a casa do último rei de Itália.

 

 Com uma vista privilegiada sobre o mar e a cerca de trinta minutos de Lisboa, o Grande Real Villa Itália é o mais recente hotel português a integrar a cadeia Leading Hotels of the World. Ainda não completou um ano de existência, e já lhe sobram motivos para uma visita.

 

Prazeres monárquicos

 Da história de Itália, faz parte um reinado relâmpago de Humberto II, último monarca a assumir o trono, antes da implantação da República. Governou um mês, até partir para o exílio na Costa do Estoril, na década de 40. O Grande Real Villa Itália ocupa hoje a sua antiga casa, num edifício ampliado em total consonância com o meio envolvente.

Uma das suas mais valias é o Real Spa Marine, com uma decoração visualmente interessante, inspirada nas termas romanas. Azulejos em tons azuis e cinza percorrem os cerca de mil metros quadrados do espaço. Na sala termal, experimento o circuito thalasso, com jactos revigorantes e tonificantes. Em seguida, experimento a massagem especialmente concebida pelos terapeutas deste spa (Real Massagem Villa Itália), perfeita para quem pretende relaxar e esquecer que existe mundo lá fora. Com movimentos muitos suaves, trabalha todas as partes do corpo, enquanto a terapeuta se serve unicamente das mãos e antebraços como instrumento de trabalho. O corpo é continuamente humedecido com óleos de uva e lavanda previamente aquecidos, potenciando um conforto e aroma inebriantes.

 

 

Inovações gastronómicas

 Durante a tarde, aproveito o sol de Inverno para passear a pé pela marginal. À noite, no restaurante Belvedere tento perceber como se faz Raviolli de ostra sem massa, Lentilhas de legumes sem lentilhas ou Tagliatelle de lagostins sem tagliatelle. Uma jovem equipa, dirigida por Paulo Pinto, assina estas e outras iguarias de uma carta essencialmente mediterrânica. Da ementa, cito algumas palavras introdutórias: «Cozinhar é criar, fazer diferente, insistir, ser curioso e motivar.» Bem a propósito: o Tagliatelle é feito com uma gelatina aquecida a 60º e é surpreendentemente saboroso, mesmo para quem desconfia destas coisas da «nouvelle couisine».

 A receita de Bacalhau à Gomes de Sá também é inovadora, com texturas de caviar de azeitona, gelado de azeite e crocante de salsa. A gema de ovo é aquecida a baixa temperatura, não ficando seca e o prato é só um dos muitos exemplos do que esta equipa cheia de ideias, projectos, participações e prémios de concursos gastronómicos é capaz de fazer.

 De sobremesa, dúvidas que prometiam durar horas (não é fácil escolher entre bolo de chocolate da Costa do Marfim, pastelinhos de baunilha com creme de pistachios, parfait de manga ou tiramisú de framboesa) dissipam-se com a sugestão do Chef de mesa: «a degustação das nossas sobremesas». Delicio-me, enquanto fico a saber que os gelados são um dos ex-libris da carta, 100 por cento à base de fruta e totalmente confeccionados na cozinha do hotel.

 Depois de jantar, descanso num quarto onde imperam as bancadas de mármore, os tons branco, azul e cinza. Graça Viterbo, responsável pelo design de interiores do hotel, deu-lhe um fantástico toque de elegância, apostando num estilo cosmopolita e sofisticado. A preocupação com os pormenores e o bom gosto da decoração gravam-se na memória dos que passam por aqui e, como eu, não desejam partir.

 

Coordenadas

Grande Real Villa Itália

Av. Rei Humberto II de Itália

2750 Cascais

Ana Catarina Pereira

 

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