XVI edição Caminhos

Festival de Cinema Português de Coimbra

 

 Sair de Lisboa ou do Porto para realizar uma reportagem de cultura é sempre um bom augúrio ou, pelo menos, um sinal dos tempos que se adivinham mais felizes. “Caminhos” foi a boa notícia do mês de Abril ou o nome do único festival de cinema português onde o público tem oportunidade de assistir ao que de melhor (e menos bom) tem sido feito, ao longo do último ano, por terras lusas.

 A Magnética esteve presente neste festival para realização da cobertura do evento e como júri de imprensa das produções a concurso.

 

Números oficiais

 

 Ao longo de nove dias, mais de 6000 pessoas assistiram a cerca de 40 horas de cinema português. Nove longas-metragens, 26 curtas, 18 animações e 12 documentários estiveram em exibição, em paralelo com várias sessões do país convidado (Espanha), conferências, workshops e sessões de cinema infantil.

 A organização da décima sexta edição de “Caminhos” esteve a cargo de uma incansável equipa de voluntários da Universidade de Coimbra, a quem as constantes maratonas de trabalho, com várias horas de sono perdidas, não conseguiram retirar a imensa vontade de concretização. O esforço é sublinhado por Vítor Ferreira, director do festival há 9 anos, que não deixa de apontar algumas críticas à cedência de subsídios do ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual): “o ‘Caminhos’ é organizado com 10 000 euros anuais. Por comparação, o ‘Indie’ recebe 100 000.” Apesar da constante luta por mais apoios, Vítor Ferreira salienta a importância cultural do festival: “é importante que as pessoas se habituem a ver o seu próprio cinema, e é também por essa razão que organizamos o ‘Caminhos Júnior’. Este ano tivemos cerca de 2500 crianças a ver os nossos filmes. Só através da educação é que, dentro de alguns anos, poderemos ter espectadores mais atentos.”

 Para Vítor Ferreira, a adesão do público é a prova que Coimbra acolhe bem os realizadores e as obras portuguesas, dentro dos vários géneros e estilos cinematográficos: em competição, estiveram longas-metragens de realizadores/produtores tão díspares como João Botelho, Tiago Guedes, Miguel Gomes ou Alexandre Valente, capazes de atrair um público com interesses totalmente heterogéneos.

 Alguns dirão que é incrível que não se realizem outros eventos como este, mas muitos mais responderão que é perfeitamente natural que assim aconteça (recordemo-nos da célebre provocação de João Bénard da Costa: “o cinema português nunca existiu”). Se, por um lado, reconhecemos que a qualidade de algumas curtas e longas-metragens é bastante duvidosa, por outro, a urgência de cedência de maiores apoios a realizadores, produtores e actores nacionais salta à vista e derruba qualquer céptico da sétima arte nacional (se não, basta pensar: quantos mais filmes forem realizados maiores hipóteses existem de um aumento da qualidade). Esta urgência foi também sublinhada por Nicolau Breyner, aquando da apresentação do seu filme: “eu estou habituado a filmar com pouco dinheiro, mas eles (os novos realizadores) filmam sem dinheiro nenhum”.

 

Diário de um festival à beira do Mondego

 No dia de abertura, o público assistiu ao documentário “Mulheres da Raia” de Diana Gonçalves, “diamante por lapidar” desta edição (ver página ??) e vencedor do prémio do júri de imprensa. Aos 23 anos de idade, a jovem realizadora filmou a Guerra do Ultramar da perspectiva das mulheres que, não combatendo, tiveram de ultrapassar inúmeras dificuldades face aos regimes ditatoriais que minavam os dois lados da fronteira.

 O documentário “6=0 Homeostética”, de Bruno de Almeida, revela também a história do movimento surgido nos anos 80 com Manuel João Vieira, Xana, Fernando Brito, Ivo, Pedro Portugal e Pedro Proença. Os manifestos, filmes, concertos e performances colectivas do grupo que entoava em voz alta frases como “Masturbação a bem da nação” ou “É moderno. É desusado. É pandeireta. É pato assado”, foram relembrados em tom que, à falta de outros adjectivos, se pode definir como irónico, melancólico e pertinente.

 Ainda no primeiro dia, o público assistiu à animação premiada pelo júri oficial. “Cândido” de Zepe (José Pedro Carvalheiro) é um manipulador sentimental, revelado através de uma complexa construção gráfica e de uma banda-sonora perfeitamente enquadrada.

 No dia seguinte, os espectadores de Coimbra assistiram à interessante produção de Miguel Gomes “Aquele Querido Mês de Agosto”, longa-metragem registada como ficção, cujo registo de documentário e making of se acabam por revelar deveras mais interessantes (ver página ??).

 “Lisbon Calling”, a curta-metragem de Anna da Palma, filmada a partir de um telemóvel, revela uma luso-descendente com alguns projectos interessantes, como esta história de uma adolescente contrariada que conhece Portugal através da música dos Xutos & Pontapés.

 “Guisado de Galinha”, a animação de Joana Toste, também merece destaque pelo tom “afadistado” e gingão com que caracteriza uma família portuguesa e a eterna saudade (o júri da Federação Internacional de Cineclubes atribuiu-lhe o Prémio Dom Quixote).

 Alexandre Valente terminou a sessão justificando os diálogos de “Second Life” quase integralmente realizados em inglês e italiano: “para mim, a língua do cinema é o inglês”. A afirmação não foi sequer irónica, apenas infeliz, sobretudo no contexto em que nos encontrávamos.

 

Curtas e animações em alta

 Ao terceiro dia, nota muito positiva para a curta-metragem “Instantes”, baseada na história verídica de dois casais em situações paradoxais: a violência doméstica e uma paixão que se inicia. O papel do cinema como meio de comunicação e responsabilização social é reforçado por Miguel Clara Vasconcelos.

Seguidamente, “Veneno Cura”, de Raquel Freire seria das exibições mais complexas e difíceis de digerir de todo o festival. O argumento e a fotografia são interessantes (sobretudo esta última), mas o pesadelo das vidas dos personagens torna a visualização deste filme um tormento apenas recomendável ao espectador que atravesse um momento de grande estabilidade emocional.

 No dia seguinte, o público aplaudiu a personagem do “Diário de uma Inspectora do Livro de Recordes”, criada por Tiago Albuquerque. Uma das animações mais interessantes do certame, que abriu o apetite para uma produção mais longa.

 O público pôde ainda assistir à estreia de Nicolau Breyner na realização de longas-metragens. “Contrato” - uma adaptação livre da obra de Dennis Macshade (pseudónimo de Dinis Machado) - que o trailler antevia como mais uma produção comercial e desinteressante, serviu-nos para desconstruir alguns preconceitos: a parceria realizada com a estação televisiva TVI originou a escolha de um elenco pouco consistente, mas o enredo e a fotografia justificam uma descontraída passagem pelas salas de cinema.

  

Documentários a fixar

 

 Ao quinto dia de festival, os documentários estiveram em destaque, reflectindo uma grande qualidade de projectos emergentes aos quais importa estar mais atento. “Ritmos da Cidade”, de Luís Margalhau, apresenta um grupo formado na Casa da Música do Porto com elementos de todas as idades e estilos completamente distintos. “Falamos de António Campos”, de Catarina Alves Costa, é um registo biográfico de um dos cineastas mais importantes (e marginalizados) da História do Cinema Português. Venceu o prémio de melhor documentário do júri oficial e uma menção honrosa do júri de imprensa.

No mesmo dia, outro premiado: desta vez o público daria nota máxima à última longa-metragem de João Botelho. “A Corte do Norte” é uma adaptação do romance de Agustina Bessa-Luís sobre a vida de Emília de Sousa, actriz portuguesa do final do século XIX. Não acrescentando nada de novo ao registo teatral a que estamos demasiado habituados na produção nacional, o filme tem uma óptima fotografia e actores consistentes.

 Em longas-metragens, melhores ventos sopraram neste festival. “Entre os Dedos”, de Tiago Guedes e Frederico Serra, e “Goodnight Irene”, de Paolo Marinou-Blanco (ver página ??), receberam respectivamente o prémio de melhor filme e menção honrosa por parte do júri oficial. No primeiro, a dupla que já tinha realizado “Coisa Ruim”, volta a brilhar com a interpretação crua e verosímil de um casal que atravessa um grave momento de crise económica. Aplausos para as interpretações de Isabel Abreu, Filipe Duarte e Gonçalo Waddington e para o argumento original do jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho.

 No último dia do festival, o público assistiu ainda ao documentário “O meu amigo Mike ao trabalho” de Fernando Lopes. A obra resulta de um desafio lançado pelo realizador a Michael Biberstein, pintor de dupla nacionalidade suíça e norte-americana, a residir em Portugal há 30 anos, com exposições frequentes na Gulbenkian, Serralves, CCB, Museu Reina Sofia, Beaubourg de Paris e Whitney Museum de Nova Iorque. A montagem é excelente e o processo criativo é muito bem descodificado.

 No mesmo dia, foi também exibido “Corpo Todo” de Pedra Sena Nunes, documentário que retrata um interessante projecto também desenvolvido pela Casa da Música, com música e coreografias de utentes da Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC). Também “Os Vigilantes”, de António Gonçalves e Ricardo Oliveira, receberia o prémio de melhor curta-metragem. À história de um marido desconfiado que contrata dois jovens detectives para vigiarem a sua jovem mulher seguir-se-ía o momento menos brilhante deste festival, com a exibição de “100 Volta”, num hino ao que de pior se pode fazer por cá. Sexo, drogas, polícias corruptos e carros roubados não seriam o “caminho” mais desejado para a produção nacional.

 Ainda assim, em jeito de conclusão, importa realçar alguns dos melhores pontos deste festival, nomeadamente a qualidade dos documentários, curtas-metragens e animações de realizadores completamente desconhecidos do público em geral. Iniciativas como esta tentam contrariar a tendência natural ao esquecimento. Quem disse que a cultura em Portugal se centra em Lisboa e no Porto?

Ana Catarina Pereira

XVI edição Caminhos

Festival de Cinema Português de Coimbra

 

 Sair de Lisboa ou do Porto para realizar uma reportagem de cultura é sempre um bom augúrio ou, pelo menos, um sinal dos tempos que se adivinham mais felizes. “Caminhos” foi a boa notícia do mês de Abril ou o nome do único festival de cinema português onde o público tem oportunidade de assistir ao que de melhor (e menos bom) tem sido feito, ao longo do último ano, por terras lusas.

 A Magnética esteve presente neste festival para realização da cobertura do evento e como júri de imprensa das produções a concurso.

 

Números oficiais

 Ao longo de nove dias, mais de 6000 pessoas assistiram a cerca de 40 horas de cinema português. Nove longas-metragens, 26 curtas, 18 animações e 12 documentários estiveram em exibição, em paralelo com várias sessões do país convidado (Espanha), conferências, workshops e sessões de cinema infantil.

 A organização da décima sexta edição de “Caminhos” esteve a cargo de uma incansável equipa de voluntários da Universidade de Coimbra, a quem as constantes maratonas de trabalho, com várias horas de sono perdidas, não conseguiram retirar a imensa vontade de concretização. O esforço é sublinhado por Vítor Ferreira, director do festival há 9 anos, que não deixa de apontar algumas críticas à cedência de subsídios do ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual): “o ‘Caminhos’ é organizado com 10 000 euros anuais. Por comparação, o ‘Indie’ recebe 100 000.” Apesar da constante luta por mais apoios, Vítor Ferreira salienta a importância cultural do festival: “é importante que as pessoas se habituem a ver o seu próprio cinema, e é também por essa razão que organizamos o ‘Caminhos Júnior’. Este ano tivemos cerca de 2500 crianças a ver os nossos filmes. Só através da educação é que, dentro de alguns anos, poderemos ter espectadores mais atentos.”

 Para Vítor Ferreira, a adesão do público é a prova que Coimbra acolhe bem os realizadores e as obras portuguesas, dentro dos vários géneros e estilos cinematográficos: em competição, estiveram longas-metragens de realizadores/produtores tão díspares como João Botelho, Tiago Guedes, Miguel Gomes ou Alexandre Valente, capazes de atrair um público com interesses totalmente heterogéneos.

Alguns dirão que é incrível que não se realizem outros eventos como este, mas muitos mais responderão que é perfeitamente natural que assim aconteça (recordemo-nos da célebre provocação de João Bénard da Costa: “o cinema português nunca existiu”). Se, por um lado, reconhecemos que a qualidade de algumas curtas e longas-metragens é bastante duvidosa, por outro, a urgência de cedência de maiores apoios a realizadores, produtores e actores nacionais salta à vista e derruba qualquer céptico da sétima arte nacional (se não, basta pensar: quantos mais filmes forem realizados maiores hipóteses existem de um aumento da qualidade). Esta urgência foi também sublinhada por Nicolau Breyner, aquando da apresentação do seu filme: “eu estou habituado a filmar com pouco dinheiro, mas eles (os novos realizadores) filmam sem dinheiro nenhum”.

 

Diário de um festival à beira do Mondego

 

 No dia de abertura, o público assistiu ao documentário “Mulheres da Raia” de Diana Gonçalves, “diamante por lapidar” desta edição (ver página ??) e vencedor do prémio do júri de imprensa. Aos 23 anos de idade, a jovem realizadora filmou a Guerra do Ultramar da perspectiva das mulheres que, não combatendo, tiveram de ultrapassar inúmeras dificuldades face aos regimes ditatoriais que minavam os dois lados da fronteira.

 O documentário “6=0 Homeostética”, de Bruno de Almeida, revela também a história do movimento surgido nos anos 80 com Manuel João Vieira, Xana, Fernando Brito, Ivo, Pedro Portugal e Pedro Proença. Os manifestos, filmes, concertos e performances colectivas do grupo que entoava em voz alta frases como “Masturbação a bem da nação” ou “É moderno. É desusado. É pandeireta. É pato assado”, foram relembrados em tom que, à falta de outros adjectivos, se pode definir como irónico, melancólico e pertinente.

 Ainda no primeiro dia, o público assistiu à animação premiada pelo júri oficial. “Cândido” de Zepe (José Pedro Carvalheiro) é um manipulador sentimental, revelado através de uma complexa construção gráfica e de uma banda-sonora perfeitamente enquadrada.

 No dia seguinte, os espectadores de Coimbra assistiram à interessante produção de Miguel Gomes “Aquele Querido Mês de Agosto”, longa-metragem registada como ficção, cujo registo de documentário e making of se acabam por revelar deveras mais interessantes.

 “Lisbon Calling”, a curta-metragem de Anna da Palma, filmada a partir de um telemóvel, revela uma luso-descendente com alguns projectos interessantes, como esta história de uma adolescente contrariada  que conhece Portugal através da música dos Xutos & Pontapés.

“Guisado de Galinha”, a animação de Joana Toste, também merece destaque pelo tom “afadistado” e gingão com que caracteriza uma família portuguesa e a eterna saudade (o júri da Federação Internacional de Cineclubes atribuiu-lhe o Prémio Dom Quixote).

 Alexandre Valente terminou a sessão justificando os diálogos de “Second Life” quase integralmente realizados em inglês e italiano: “para mim, a língua do cinema é o inglês”. A afirmação não foi sequer irónica, apenas infeliz, sobretudo no contexto em que nos encontrávamos.

 

Curtas e animações em alta

 Ao terceiro dia, nota muito positiva para a curta-metragem “Instantes”, baseada na história verídica de dois casais em situações paradoxais: a violência doméstica e uma paixão que se inicia. O papel do cinema como meio de comunicação e responsabilização social é reforçado por Miguel Clara Vasconcelos.

Seguidamente, “Veneno Cura”, de Raquel Freire seria das exibições mais complexas e difíceis de digerir de todo o festival. O argumento e a fotografia são interessantes (sobretudo esta última), mas o pesadelo das vidas dos personagens torna a visualização deste filme um tormento apenas recomendável ao espectador que atravesse um momento de grande estabilidade emocional.

 No dia seguinte, o público aplaudiu a personagem do “Diário de uma Inspectora do Livro de Recordes”, criada por Tiago Albuquerque. Uma das animações mais interessantes do certame, que abriu o apetite para uma produção mais longa.

 O público pôde ainda assistir à estreia de Nicolau Breyner na realização de longas-metragens. “Contrato” - uma adaptação livre da obra de Dennis Macshade (pseudónimo de Dinis Machado) - que o trailler antevia como mais uma produção comercial e desinteressante, serviu-nos para desconstruir alguns preconceitos: a parceria realizada com a estação televisiva TVI originou a escolha de um elenco pouco consistente, mas o enredo e a fotografia justificam uma descontraída passagem pelas salas de cinema.

 

 

Documentários a fixar

 Ao quinto dia de festival, os documentários estiveram em destaque, reflectindo uma grande qualidade de projectos emergentes aos quais importa estar mais atento. “Ritmos da Cidade”, de Luís Margalhau, apresenta um grupo formado na Casa da Música do Porto com elementos de todas as idades e estilos completamente distintos. “Falamos de António Campos”, de Catarina Alves Costa, é um registo biográfico de um dos cineastas mais importantes (e marginalizados) da História do Cinema Português. Venceu o prémio de melhor documentário do júri oficial e uma menção honrosa do júri de imprensa.

 No mesmo dia, outro premiado: desta vez o público daria nota máxima à última longa-metragem de João Botelho. “A Corte do Norte” é uma adaptação do romance de Agustina Bessa-Luís sobre a vida de Emília de Sousa, actriz portuguesa do final do século XIX. Não acrescentando nada de novo ao registo teatral a que estamos demasiado habituados na produção nacional, o filme tem uma óptima fotografia e actores consistentes.

 Em longas-metragens, melhores ventos sopraram neste festival. “Entre os Dedos”, de Tiago Guedes e Frederico Serra, e “Goodnight Irene”, de Paolo Marinou-Blanco (ver página ??), receberam respectivamente o prémio de melhor filme e menção honrosa por parte do júri oficial. No primeiro, a dupla que já tinha realizado “Coisa Ruim”, volta a brilhar com a interpretação crua e verosímil de um casal que atravessa um grave momento de crise económica. Aplausos para as interpretações de Isabel Abreu, Filipe Duarte e Gonçalo Waddington e para o argumento original do jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho.

 No último dia do festival, o público assistiu ainda ao documentário “O meu amigo Mike ao trabalho” de Fernando Lopes. A obra resulta de um desafio lançado pelo realizador a Michael Biberstein, pintor de dupla nacionalidade suíça e norte-americana, a residir em Portugal há 30 anos, com exposições frequentes na Gulbenkian, Serralves, CCB, Museu Reina Sofia, Beaubourg de Paris e Whitney Museum de Nova Iorque. A montagem é excelente e o processo criativo é muito bem descodificado.

 No mesmo dia, foi também exibido “Corpo Todo” de Pedra Sena Nunes, documentário que retrata um interessante projecto também desenvolvido pela Casa da Música, com música e coreografias de utentes da Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC). Também “Os Vigilantes”, de António Gonçalves e Ricardo Oliveira, receberia o prémio de melhor curta-metragem. À história de um marido desconfiado que contrata dois jovens detectives para vigiarem a sua jovem mulher seguir-se-ía o momento menos brilhante deste festival, com a exibição de “100 Volta”, num hino ao que de pior se pode fazer por cá. Sexo, drogas, polícias corruptos e carros roubados não seriam o “caminho” mais desejado para a produção nacional.

 Ainda assim, em jeito de conclusão, importa realçar alguns dos melhores pontos deste festival, nomeadamente a qualidade dos documentários, curtas-metragens e animações de realizadores completamente desconhecidos do público em geral. Iniciativas como esta tentam contrariar a tendência natural ao esquecimento. Quem disse que a cultura em Portugal se centra em Lisboa e no Porto?

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Ana Catarina Pereira

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