Pele frágil - Dermatoporose:

a doença que surge quando a pele não se limita a envelhecer

 Trata-se de um síndrome emergente. Na Suíça, um grupo de investigadores estudou os sintomas e atribuiu-lhe um nome: dermatoporose. Fique atento aos sinais: se a sua pele se encontra particularmente frágil e com dificuldade de cicatrização, poderá não estar apenas a envelhecer.

 

O que significa?

 «A dermatoporose é um síndrome de insuficiência cutânea crónica. O nome da doença foi criado por analogia com a osteoporose, uma vez que, a partir de uma certa idade, pode passar-se com a pele o mesmo que com os ossos do nosso corpo.» A definição é-nos fornecida por Ana Filipa Duarte, especialista do Centro de Dermatologia Epidermis, no Porto, e membro da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo, que acrescenta: «Esta doença costuma surgir por volta dos 70 anos, e é cada vez mais comum devido ao aumento da esperança média de vida. Ainda assim, também se verificam alguns casos em pacientes mais novos, devido à sua exposição solar exagerada.»

 

Sinais de alerta

 Os principais sintomas da doença são, de acordo com a especialista, a diminuição da resistência da pele e a dificuldade de cicatrização. Para que um paciente sem formação especializada reconheça os seus sinais, Ana Filipa Duarte distingue-a do normal processo de envelhecimento: «Uma pele simplesmente envelhecida não faz hematomas com tanta facilidade; ela pode até encontrar-se ligeiramente avermelhada ou rosada, mas não é tão fina e não apresenta um nível tão elevado de atrofia, nem as denominadas cicatrizes solares.» Na sua opinião, depois de constatar alguns destes sinais, o paciente deve consultar um médico dermatologista, não necessitando de ser submetido a exames prolongados ou custosos. Segundo afirma Ana Filipa Duarte, na grande maioria dos casos, a avaliação observacional das características da pele é suficiente para que se proceda ao diagnóstico.

 

Definição recente

 Há vários anos que esta doença terá sido detectada por médicos da especialidade. No entanto, como sublinha a dermatologista, a recente descrição realizada por um grupo de investigadores suíços, coordenados pelo Professor Saurat, terá contribuído para o seu estudo mais aprofundado: «Foi um passo importante para a medicina, uma vez que a esperança média de vida tem vindo a aumentar e a exposição aos raios ultra-violeta é cada vez maior, em todas as idades.» Neste sentido, Ana Filipa Duarte lembra que a doença atinge sobretudo as zonas foto-expostas, como pernas e a parte lateral dos antebraços, em pacientes com fototipos baixos: 1 e 2, correspondentes a peles muito claras.

 

Como evitar a dermatoporose?

 O segredo para não vir a sofrer de dermatoporose é, na opinião da especialista, uma hidratação diária: «isso possibilita uma melhor textura e consistência da pele, tornando-a mais tolerante aos impactos», afirma. Não sendo este um problema essencialmente estético, mas de função da própria pele, Ana Filipa Duarte reconhece que a utilização de produtos cosméticos é fundamental para o tratamento da dermatoporose: «Há doenças de pele que não melhoram sem o uso de um bom creme hidratante que, nestes casos, acaba por actuar como um medicamento.» A utilização de cremes de protecção solar com índice igual ou superior a 30, mesmo no dia-a-dia, é também recomendável, por aumentarem a possibilidade de captação da água e a sua retenção. Em termos de alimentação, Ana Filipa Duarte aconselha uma dieta rica em vitamina C (que intervém na produção de colagénio), e que se traduz em elevadas doses de fruta e legumes: «Este tipo de dieta alimentar dá uma consistência maior à pele e interfere também no processo de coagulação, diminuindo o risco de hematomas.»

 

 

Contra-indicações:

 Tratando-se de uma doença crónica, cujo tratamento é realizado através de uma alimentação correcta e o recurso a cremes prescritos, existem algumas contra-indicações para doentes que sofrem de dermatoporose:

 - Exposição solar nas horas de maior calor.

 - Recurso a técnicas abrasivas, como os tratamentos a laser.

 - O uso de corticóides, aconselháveis noutras doenças, pode constituir um factor agravante da dermatoporose.

Ana Catarina Pereira

Com Ana Filipa Duarte, dermatologista