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Saúde: Eu não desisto!

Como combater a rotina e tirar o máximo partido do exercício físico

 

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 Já todos os praticantes de desporto passaram por esta fase. Ao fim de alguns meses de entusiasmo e resultados visíveis surge uma ameaça: a rotina. A balança deixa de transmitir boas notícias, o corpo não manifesta mudanças e os exercícios começam a parecer inúteis. Quando esta fase se prolonga, seguem-se o descontentamento e o abandono. Depois das férias, no regresso à vida activa, aos ginásios e às práticas desportivas, a saber viver ajuda-a a queimar mais calorias com os mesmos exercícios. Hugo Vieira Pereira, personal trainer, ensina-lhe os melhores truques para rentabilizar ao máximo a prática desportiva que escolheu.

 

 

Revisão da intensidade

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 Quando questionamos Hugo Vieira Pereira sobre a frequência com que um treino (e a sua intensidade) deve ser revisto obtemos uma reposta pragmática: «Sempre!». Neste sentido, as palavras-chave são progressão e sobrecarga. «A primeira pressupõe que a carga vá aumentando progressivamente, à medida que a aptidão física do praticante também aumenta. Só assim se garante que o estímulo de treino se encontra na zona óptima para que ocorra adaptação», explica o especialista, exemplificando: «Imagine alguém para quem correr a 7km/h representa um desafio aceitável. Passados poucos treinos, essa velocidade será obtida sem grande esforço porque o corpo se adaptou. Se o estímulo de treino se mantiver constante as adaptações desaparecem, porque este já não representa um desafio». Para Hugo Vieira Pereira, esta regra é universal: «Qualquer actividade física deve respeitar os princípios da progressão e da sobrecarga, com excepção das actividades que se fazem com o objectivo único de descarregar o stress. Nos restantes casos devemos aumentar a intensidade e/ou duração da actividade de forma progressiva, respeitando os sinais do seu corpo», afirma o especialista.

 

 

Aumento da carga

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 O princípio da sobrecarga, por sua vez, pressupõe que o estímulo vá sendo superior de treino para treino. Assim sendo, o momento em que deixa de se sentir cansada após a prática de exercício é também aquele em que deixa de contribuir para a melhoria da sua forma física. O conceito de progressão está portanto mais relacionado com intensidade (uma pessoa que corre a 3 kms/h terá que ir aumentando para 4, 5, 6…) e o da sobrecarga com o aumento de peso (uma pessoa que, em ginásio, treina com 2 kgs passa a treinar com 3, 4 ou outros, respeitando os sinais do corpo).

 Segundo Hugo Vieira Pereira, «todos os treinos devem representar um desafio, pelo que as cargas devem ir aumentando progressivamente e sempre que se verificar adaptação. Essa adaptação manifesta-se pela ausência de fadiga face a um treino que anteriormente era exigente.» Para evitar que esta fase se prolongue, o especialista recomenda que a praticante de exercício (e/ou o seu treinador) esteja atenta aos sinais do corpo, de forma a aumentar de intensidade quando for necessário, ou a reduzir em caso de retrocesso. Se realizar exercício de uma forma irregular deve optar por treinos menos intensos, uma vez que a sua forma física poderá não ser a melhor.

 

 

Crosstraining

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 Se é adepta de body pump, aeróbica, step e de outras ofertas comuns em ginásio, saiba que estas são, segundo Hugo Vieira Pereira, «divertidas, motivadoras e desafiantes, mas muito pouco específicas em termos de capacidade e necessidade de cada pessoa». Na sua opinião, este tipo de aulas deve ser introduzido num plano de treino, com o objectivo de quebrar a rotina: «Defendo que se faça crosstraining (sala de exercício e aulas), que se experimente tudo o que o ginásio oferece e se opte pelas modalidades que mais gostar.» Neste aspecto, Hugo Vieira Pereira sublinha ainda que é importante ir variando de modalidade e fazendo diferentes tipos de exercício ao longo da semana: «A pessoa deve optar por umas aulas com incidência na componente aeróbia da aptidão física (step ou danças), outras na componente muscular (localizada) e outras ainda na postura, alongamento e consciência corporal (pilates, yoga ou alogamentos).» Os truques para não deixar que a rotina se instale na sua prática de exercício físico residem assim na variedade e no aumento da intensidade.

 

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Definir objectivos

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 Para perder gordura, deve existir um deficit energético, queimando mais calorias do que aquelas que são ingeridas. No final das contas, o que realmente importa é quantas calorias consumiu durante o exercício e no período de recuperação, assim como o ganho de massa muscular associado aos exercícios mais intensos: «Deve iniciar com uma intensidade baixa, mas subi-la à medida que o seu corpo se adapta ao treino. Quanto mais, melhor!». O treino de força é, na opinião do personal trainer, a componente essencial para redução da gordura corporal numa rotina de treino. Se for correctamente realizado, contribui para o dispêndio energético, para a estabilização das articulações, para a conservação da massa magra e do metabolismo de repouso.

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MITO: «Os benefícios em termos de saúde e aptidão física das modalidades designadas “mind and body”, como o tai chi ou a yoga, são questionáveis.» Devido às suas particularidades, este tipo de exercícios apresenta, segundo o especialista, benefícios ímpares, como o aumento da flexibilidade, consciência corporal, equilíbrio, postura e de redução do stress.

Dica «Para obter mais rendimento do exercício físico que escolheu praticar, deve treinar frequentemente, durante períodos curtos (máximo de 60 minutos) e a uma intensidade tão alta quanto possível.»

 

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Queimar calorias

Veja quanto gasta em cada modalidade

Dispêndio calórico de dez minutos de actividade física realizada por uma pessoa com 60 kg

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Marcha lenta (3km/h)         25       

Marcha rápida (7km/h)       45       

Combinação marcha/corrida         60       

Corrida (8km/h)        80       

Corrida rápida (12km/h)     125     

Andar de bicicleta (<16km/h)        40       

Andar de bicicleta (16 a 19km/h)  60       

Bicicleta estática (150W)   70       

Elíptica ou Step        90       

Remo (100W)            70                   

Musculação  30       

Ioga e tai chi            35       

Hidroginástica         40       

Natação leve a moderada 70       

Aeróbica        65       

Aeróbica/ step (15 a 20 cm de altura)      85       

Ténis  70       

 

Fonte: «Transforme-se no seu personal trainer», Hugo Vieira Pereira (Edições Sílabo)

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​

Por Ana Catarina Pereira

Com Hugo Vieira Pereira, personal trainer

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